terça-feira, 20 de julho de 2010

Amizade e Santos Dumont



20 de julho dia internacional da amizade e aniversário de Santos Dumont!!!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Vazamento de petróleo na China

China fecha porto devido a vazamento de petróleo

Por Chen Aizhu e Ben Blanchard

PEQUIM (Reuters) - O porto de Dalian, um dos maiores da China, fechou na segunda-feira por causa da explosão de um oleoduto submarino, que provocou um grave vazamento de óleo, fez uma refinaria reduzir sua produção e obrigou os importadores a desviarem suas cargas para outros terminais.

O incêndio do fim de semana pode prejudicar também o embarque de minério de ferro e soja, além de gerar um debate na China sobre as regras ambientais - menos de uma semana depois das suspeitas de acobertamento das autoridades num vazamento tóxico numa mina de cobre no sul do país.

O incêndio começou na noite de sexta-feira, quando dois dutos explodiram durante o carregamento de um navio-tanque fretado pela estatal PetroChina.

Ninguém ficou ferido, mas centenas de bombeiros levaram mais de 15 horas para controlar as chamas, segundo a imprensa estatal. Cerca de 1.500 toneladas de petróleo vazaram no mar, deixando uma mancha com 183 quilômetros quadrados, dos quais 50 quilômetros quadrados de contaminação "severa".

Outros seis navios com capacidade para 12 milhões de barris (1,9 bilhão de litros) devem ser desviados para outros portos na Coreia do Sul ou China, segundo fontes do setor de navegação.

O porto petrolífero de Xingang, em Dalian, tem um depósito estratégico de 19 milhões de barris 2,27 bilhões de litros de petróleo - é um dos quatro grandes depósitos chineses já em operação. Ali funcionam também armazéns da CNPC e da PetroChina, com capacidade ainda maior.

Duas refinarias da PetroChina escoam por ali a sua produção, equivalente a 600 mil barris diários (71,5 mil litros por dia).

A PetroChina montou um plano de contingência para enfrentar uma interdição de uma semana no principal terminal petrolífero, que costuma receber petróleo bruto e exportar gasolina e diesel.

Fontes do setor se dividem a respeito de quanto tempo o porto ficará fechado, com estimativas que variam de 7 a mais de 10 dias. As autoridades dizem que não é possível prever o prazo.

A PetroChina começou a reduzir em "vários milhares de toneladas" por dia as operações em uma das suas refinarias. "O porto foi lacrado logo depois da explosão. Temos um plano de contingência de uma semana, mas esperamos que o vazamento de óleo possa ser limpo assim que possível", disse um executivo.

Trabalhadores usam barreiras físicas e dispersantes para tentar conter a mancha de petróleo, segundo o jornal China Daily. A poluição se concentra a cerca de cem quilômetros da costa.

"Até a noite de domingo, cerca de 7.000 metros de barreiras flutuantes foram instalados, e pelo menos 20 recolhedores de óleo estão trabalhando para limpar o vazamento", disseram autoridades locais ao jornal.

(Reportagem adicional de Wee Sui-Lee em Hong Kong, Ruby Lian em Xangai e David Stanway em Pequim; Luke Pachymuthu, Florence Tan e Naveen Thukral em Cingapura)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Ecologia e Literatura

Ecologia e Literatura

Ler e escrever são atividades fundamentais no processo de integração entre o homem e a natureza. Essa é uma das conclusões da bióloga Rita Mendonça ao terminar as Oficinas de Educação Ambiental realizadas nas Bibliotecas Comunitárias Ler é Preciso em várias cidades brasileiras

ritaEm setembro e outubro de 2007 foram realizadas Oficinas de Educação Ambiental em diversas Bibliotecas Ler é Preciso com a bióloga Rita Mendonça. Confira alguns relatos dos participantes e os comentários da educadora:

Energia em movimento

“Não foram viagens comuns. Enquanto chegávamos a cada lugar, eu imaginava a intrincada malha de roteiros feitos por mim e cada um dos participantes das oficinas. Tantos esforços convergindo para a sua realização. Os anfitriões se desdobravam na organização. Todos sabiam quão especiais seriam aqueles encontros — e foram. Cada lugar com sua própria cor, tom, intensidade. Havia muita emoção pela novidade da situação, viajar, receber, conhecer, renovar. Essa intensa energia em movimentação em muito contribuiu para a qualidade e a profundidade dos encontros”.

Transformando hábitos

Para tornar o lugar onde vivemos o melhor lugar do mundo, precisamos expandir nossa idéia de ‘lugar’. Por isso, as propostas da educação ambiental de avançar na visão de mundo e orientar nas tomadas de decisão precisam fazer sentido para as pessoas; não podem ser normas ditadas por especialistas; precisam tocá-las lá no fundo, para que possam transformar seus hábitos condicionados em hábitos conscientes e enraizados”.

Tarefa do educador ambiental
“Incrível pensar que, apesar de todo o conhecimento acumulado por toda a história humana, nossa inteligência não está formatada para entender e pensar questões relativas à Terra e seus habitantes. (...) Trazer essas questões para o cotidiano, para a consciência diária, é a tarefa do educador ambiental.”


Livros podem curar

“É muito especial fazer essas reflees nos ambientes das bibliotecas. Os livros podem também nos curar da cegueira de uma visão de mundo limitada pelo imediato ou pelos repertórios formados pela mídia. Pessoas preparadas para o mergulho em livros estão abertas para o permanente despertar que os textos trazem. (...) A força vital que a homogeneização das paisagens lhes retira pode ser compensada pela riqueza de mundos trazida pelos livros e pela indelével marca que as reflees calcadas na experiência proporcionam. Os bons livros são parceiros fundamentais para uma educação ambiental que facilite dar às pessoas poder para intervirem de forma consciente e conseente em seus espaços de vida.”

Uma ética para o novo milênio

Conversamos sobre a necessidade de, associado ao engajamento para reciclar os materiais, no momento de fazer qualquer compra, refletir sobre sua real necessidade, ter discernimento para recusar aquilo que percebemos não ser essencial, reduzir a quantidade daquilo que julgamos necessário, reutilizar de alguma forma aquilo de que já dispomos e retardar ao máximo sua disposição final e, finalmente, dar preferência para produtos e embalagens que possam ser reciclados, nos casos dos municípios que já dispõem de programas para reciclagem.


Cuidar dos corações humanos
“O problema dos erros de percepção, que, é claro, tem graus variados, costuma surgir por causa da nossa tendência de isolar aspectos particulares de um acontecimento ou experiência e vê-los como se constituíssem uma totalidade. Isso leva a um estreitamento da perspectiva e a falsas expectativas. Lembramos a citação feita pelo professor Joseph Cornell, autor do livro Vivências com a natureza 1, também recebido pelas Bibliotecas: ‘...Não se trata de cuidar dos rios, mas do coração humano.’ Para conseguirmos cuidar dos rios, precisamos cuidar do coração das pessoas, conhecer como é que elas sentem, de que elas precisam e como podem sentir-se felizes cuidando de si e dos outros. Só então poderão cuidar do ambiente externo, já que as nossas formas de interferir nele dependem de nossos estados mentais e, portanto, afetivos."

Vivenciando as palavras

“Além de conhecer muitas palavras, precisamos vivenciá-las, para que façam sentido para nós. Para isso, é necessário desenvolver a sensibilidade e dedicar um olhar amoroso sobre as coisas. A experiência da Neick de incentivar as pessoas a plantar flores me fez lembrar que o mundo é um enorme jardim, passível de tomar as mais belas formas, dependendo do olhar que temos sobre ele e dos nossos gestos de compreensão e de realização”.

Resgatando o sagrado de tudo

Todos os nossos problemas decorrem, de alguma forma, da falta de consideração ou de percepção da inexorável necessidade de pertencer aos ciclos da vida. Nossas viagens tinham este sentido: resgatar a sacralidade das coisas — mas não só das coisas: das relações, dos afetos que criamos ao nos encontrarmos. (...) Tudo o que fazemos é muito especial e importante e, quando compartilhado, é ampliado, é reencantado”.

Relatos especiais

“Muitas coisas aconteceram desde os nossos encontros. Algumas delas foram compartilhadas por carta, fax ou e-mail. Vamos aqui contar algumas. Todos os relatos que recebemos nos tocaram profundamente. Sentimos que seria muito importante que todos soubessem”.

“Quando a Jucineide, de Suzano, SP, contou que quando vai a algum lugar que tem árvore, costuma parar para ouvir o canto dos pássaros e para contar quantos tons de verde consegue ver, fiquei cheia de contentamento. Ela conta também que, quando se dedica a essa escuta, sente-se amorosa e em paz. Percebi que gestos tão simples podem nos reconectar interiormente e, ao mesmo tempo, reconectar uns aos outros”.

“Nossos encontros foram bastante mobilizadores. Depois da oficina, Neick, de Turmalina (MG), intensificou certas questões com as quais ela já trabalhava: ampliou o cuidado de trabalhar valores como paz, solidariedade, honestidade e respeito. E teve uma idéia muito bacana: nos encontros para contar a história Pote vazio ou a flor da honestidade, distribuiu sementes de flores orientando os participantes a plantar, a regar com água e carinho e depois a dar o retorno, contando-lhe dos seus jardins.. Que idéia bonita! Pois se a leitura nos ajuda a ler a realidade em que vivemos, nos ajuda a ter senso crítico e a sonhar, plantar flores em decorrência da leitura nos leva a transformar a realidade, a incluir o belo no cotidiano, a dar poesia ao ato de viver. A experiência da Neick de incentivar as pessoas a plantar flores me fez lembrar que o mundo é um enorme jardim, passível de tomar as mais belas formas, dependendo do olhar que temos sobre ele e dos nossos gestos de compreensão e de realização”.

“Neick utilizou a dinâmica da teia em diversos encontros que promoveu em sua cidade, para mostrar que dependemos uns dos outros. Essa dinâmica consiste em pedir aos participantes que façam uma lista de todos os elementos importantes de suas vidas. Conforme eles vão falando, vão fazendo conees entre eles e, para representar essas conees, vão passando um barbante, até formar uma teia bem intrincada. Se alguém puxar o barbante para um lado, todos vão sentir”.

Ela percebeu que caminhar é uma poderosa forma de ocupar espaço, expor idéias e comprovar vínculos, sobretudo quando caminhamos juntos. Caminhar dá vida às idéias e às mudanças pelas quais sonhamos. Então, Neick organizou Caminhadas pela Justiça e Paz em sua cidade, para mobilizar a comunidade quanto a ações necessárias e para agradecer ao Divino, durante a Festa do Divino, pelas Ações de Paz realizadas. Assim, crianças foram presenteadas com mudas de árvores frutíferas no dia de seu batizado e os pais se comprometeram a cuidar delas. Neick compartilhou sobre seu maior ganho com as Oficinas de Educação Ambiental: ‘Pequenas ações podem representar muito mais do que imaginamos para melhorar o planeta. Em razão disso, sou mais tolerante, menos ansiosa, mais realizada e mais feliz’”.

Neide, de Salvador (BA), também observou o quanto as pequenas atitudes influenciam e o quanto somos ligados uns aos outros. Quando vamos empreender alguma coisa, podemos ter a sensação de que aquilo que fazemos é pouco, mas, quando vamos compartilhar, aí é que percebemos a grandeza que existe em cada um de nós. O simples ato de querer viver com qualidade, modificando as escolhas para construir um modo de vida leve e alegre, já é transformador, pois irradia positividade, amorosidade, bem-estar e tranqüilidade. Esses são sentimentos tão necessários na vida moderna que exercem rápida influência naqueles que nos rodeiam. Como diz a Neide, são atitudes que mudam a mentalidade das pessoas”.

Fernanda, de Urbanos Santos (MA), fez a Teia da Vida com as crianças, pedindo que representassem animais e ligou-as por meio do barbante, de forma a perceberem a interdependência entre todos os seres vivos. Cícero, de Calçado (PE), enfatizou a importância da educação para a formação da consciência nas pessoas”.

Olha só a iniciativa da Cristina, de Barroso (MG): ela organizou um concurso para estimular as crianças à reflexão em torno da questão ambiental. Mobilizando a participação por meio das escolas, o concurso “Eu protejo minha terra” teve três categorias. Para mostrar os resultados do concurso, ela preparou uma publicação com os textos selecionados do III Concurso de Redação Ler é Preciso. Nem dá para avaliar quanta gente foi envolvida nesse processo do concurso, que teve um efeito realmente multiplicador!”

Quando nos encontramos para as Oficinas de Educação Ambiental em 2007, senti que muita coisa se modificou ou transformou, tanto em mim como nos participantes. A primeira delas é a percepção de que tudo isso gira em tornos dos afetos, do quanto ampliamos nossa capacidade de percepção e ação pelo simples fato de nos deixarmos atuar afetuosamente com os outros e com o ambiente

Reciclagem de óleo gera renda


Ao jogar o óleo de cozinha usado na pia, o brasileiro não percebe que está ajudando a aumentar a contaminação dos córregos, rios e mares, além de colaborar para entupir o encanamento da sua residência e das galerias pluviais.

“Com uma iniciativa muito simples, os cidadãos podem ajudar na preservação do meio ambiente e na geração de renda para as pessoas carentes”, destaca a presidente da Associação Nacional para Sensibilização, Coleta e Reciclagem de Resíduos de Óleo Comestível (Ecóleo), Célia Marcondes. Segundo ela, o armazenamento do óleo em potes de vidro e o encaminhamento do produto para postos de reciclagem está gerando renda para 1,8 mil trabalhadores em todo o país.

“São pessoas que vivem só disso”, afirmou Célia, em entrevista à Agência Brasil. A associação que ela preside não se responsabiliza pela coleta, mas é responsável pela criação de redes que fazem esse serviço. Cerca de 50 entidades e empresas, de acordo com Célia, já estão interessadas em participar desse processo.

Na Grande São Paulo, a organização não governamental (ONG) Trevo é uma das responsáveis pela coleta desse material em cerca de 2,5 mil prédios. Segundo Roberto Costacoi, a ONG que preside coleta, em média, 270 mil litros de óleo por mês. Todo esse óleo de cozinha que é recolhido pelos prédios, bares e principalmente restaurantes fast food de São Paulo é depois tratado e repassado para grandes indústrias de biodiesel. Com esse trabalho, a organização se autosustenta e gera emprego para 50 famílias que recebem, em média, R$ 1 mil por mês.

“A reciclagem tem várias vantagens: uma é que vamos deixar um mundo melhor para nosso filhos e netos. Outra é que vai cair pela metade o gasto do condomínio com o desentupimento de esgotos e encanamentos – e sabemos que qualquer desentupidora não sai de sua base por menos de R$ 1 mil. Tem ganho material, ganho ecológico e geração de emprego”, destacou Costacoi.

Segundo a Sabesp, empresa responsável pelo fornecimento de água, coleta e tratamento de esgotos de 366 municípios do estado de São Paulo, a reciclagem do óleo de cozinha realmente diminui o número de trabalhos de desobstrução na rede de esgoto. Em Cerqueira César, bairro da capital paulista onde o trabalho começou a ser desenvolvido em 2007 com as ONGs Trevo e Ecóleo, 1,6 mil condomínios aderiram ao programa e o resultado foi que o número de desobstruções de esgotos diminuiu 26% em relação aos demais bairros operados pela Sabesp.

De acordo com Célia, uma família brasileira formada por cinco pessoas consome cerca de quatro litros de óleo por mês. Desse total, um litro é descartado e o restante absorvido na comida. Pelos cálculos da Sabesp, cada litro desse óleo que é descartado nas pias polui mais de 25 mil litros de água.

“A reciclagem gera postos de trabalho e renda e aquilo que é problema, que é resíduo, vai passar a ser produto para as indústrias, que precisam do óleo como matéria-prima. Há uma gama enorme de produtos (biodiesel, sabão, tintas, vernizes e massas de vidro) que podem ser feitos com esse material que estamos jogando fora de forma irresponsável”, resumiu Célia.

As pessoas, empresas e condomínios que estiverem interessados em fazer parte da rede de reciclagem do óleo de cozinha podem procurar informações nos sites www.trevo.org.br ou www.ecoleo.org.br.

British Petroleum consegue parar o vazamento de petróleo


De acordo com informações da BP, a implementação de seu mais recente selo de contenção na plataforma Deepwater Horizon foi bem sucedida. Isso significa que pela primeira vez em meses nenhum barril de petróleo está vazando no Golfo.

A BP ainda tem que conduzir testes de pressão para ter certeza de que o poço está intacto, o que será feito nas próximas 48 horas, para os engenheiros determinarem se há pressão suficiente para prevenir mais vazamentos de petróleo e gás no oceano.

Os executivos da BP estão otimistas com o processo:

Apesar de não termos certeza, a expectativa é de que nada de petróleo seja despejado no oceano durante o teste”, disse a BP em seu comunicado ao anunciar o início do procedimento. “Mesmo que não haja nenhum vazamento durante o teste, isso não será uma indicação de que o fluxo de petróleo e gás do poço tenha sido interrompido permanentemente.”

Se os testes de pressão falharem, o selo terá de ser removido, obrigando a BP a começar do zero.

Dedos cruzados, então. A boa notícia é que pelo menos agora o problema não está ficando pior. [Originalmente postado em Gizmodo Brasil, com fonte em Washington Post]


BP interrompe totalmente vazamento de petróleo no Golfo

16/7/2010 10:06, Redação, com agências internacionais

A BP conseguiu pela primeira vez desde 22 de abril interromper totalmente o vazamento de petróleo no Golfo do México nesta quinta-feira.

Agora a companhia espera que o novo equipamento, que foi instalado no poço danificado, possa continuar integro por 48h. Apesar do estancamento momentâneo não ser um resultado conclusivo, o vice-presidente sênior da empresa, Kent Wells, comemorou o fato.

– É bom ver que nenhum petróleo está vazando para o Golfo do México –, disse.

Caso funil apresente avarias no decorrer do teste, a BP ainda pode optar por um plano alternativo. Neste caso, a britânica instalaria um sistema de quatro diferentes linhas para transportar o petróleo e o gás natural para quatro diferentes embarcações, segundo informou o encarregado norte-americano nas operações contra a maré-negra, Thad Allen.

O vazamento iniciado em 20 de abril causou enormes prejuízos ambientais e econômicos, e por pressão do governo a BP reservou US$ 20 bilhões para indenizações, o que lhe obriga a vender parte do seu patrimônio.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sylvio Adalberto, a natureza e os "Poemínimos"









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Sylvio Adalberto

"Apenas um apaixonado pela natureza. Como tal, gostaria de vê-la preservada e protegida. Creio sinceramente que para preservar é preciso conhecer. Ninguém protegerá aquilo que desconhece. Para que isso aconteça primeiro é fundamental que haja uma mudança de consciência. Temos de acabar com a mentalidade instaurada de que não temos nada com isso.Temos sim! Tudo o que acontece no mundo em que vivemos é de nossa inteira responsabilidade. Enquanto houver gente dormindo na rua, famílias sem direito a um teto, um pedaço de terra para plantar e um pedaço de pão para driblar a fome, enquanto houver cachorros comendo filé e crianças morrendo de fome, nada mudará no mundo. O exemplo deverá começar não dentro de nossa casa, mas dentro de cada um de nós. É preciso antes de tudo querer ser melhores do que somos. O caminho é refrear o consumismo, a sede de supérfluo que invadiu o mundo. E a salvação é começar pelas crianças. Tenho consciência de que tenho feito minha parte. E você?"

Comentário do blog: Ontem, 13 de julho, fui à palestra do Gerson Valle, na Casa Cláudio de Souza, em um evento da Academia Brasileira de Poesia. A palestra, que tinha como tema "Modernismo Brasileiro e Nacionalismo", foi muito boa e falamos até mesmo em promover uma parceria e trazermos algumas palestras também para a nossa sala de leitura.
Foi uma oportunidade para conversar com o Sylvio Adalberto, presidente da Academia, amigo, poeta e morador de Corrêas. Foi lá na Academia que revi os seus poemínimos, dos quais, aqui,postamos alguns. E quem quiser conhecer mais do trabalho do Sylvio, com as aves da mata atlântica e com a literatura, visite o seu site:
http://www.sylvioadalberto.com/index.html

Ass. Sylvio Costa Filho




Jornal do Brasil encerra versão impressa (Tribuna de Petrópolis)

Jornal do Brasil encerra versão impressa

Os repórteres do Jornal do Brasil criticam a falta de informação da empresa sobre o fim da edição impressa do veículo. Os jornalistas dizem que só ficaram sabendo do encerramento da publicação por meio de notícias divulgadas em outros veículos. Os profissionais preferiram não se identificar, e aguardam um comunicado na intranet da empresa ou que a informação seja dada pessoalmente por alguém da direção.

De acordo com duas fontes, o clima na Redação é relativamente normal, e os jornalistas estão tentando manter o profissionalismo, já que a informação de que a empresa investirá apenas na edição online ainda não foi dada internamente.

Uma das fontes negou a informação divulgada pelo O Globo de que dois funcionários teriam passado mal com a notícia. “É compreensível que isso aconteça, mas ainda não aconteceu nada do tipo”.

Para outra jornalista, que diz que os repórteres trabalham normalmente, o clima não tem sido bom. “Pra mim, particularmente, o clima não está bom porque tenho um apego muito grande ao jornal”, lamentou.

Outro repórter confirmou que o último salário dos profissionais estaria atrasado. “Na sexta-feira (9) recebemos apenas R$ 800,00 do pagamento de junho e ainda não há previsão de quando devemos receber o restante”, explicou.

Sindicato deve acompanhar situação

O vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro, Rogério Marques Gomes, disse que atrasos salariais no Jornal do Brasil eram constantes, mas que depois a empresa regularizava a situação com os funcionários. Para Gomes, o problema é outro. “A maior irregularidade do JB é a contratação de um grande número de jornalistas como Pessoa Jurídica (PJ)”.

Gomes lamentou a situação e disse que o sindicato está de “luto” pela decisão de Nelson Tanure, que anunciou a intenção de manter apenas a versão online do jornal. “Posso dizer que estamos de luto. É uma situação lamentável. Isso é péssimo para a democracia, porque o Rio de Janeiro fica numa situação de transmitir praticamente uma opinião só, a do grupo Globo”, destacou.

O dirigente afirmou que pretende se reunir com os demais membros da diretoria do sindicato para discutir os passos que devem ser tomados a partir de agora. “Estamos pensando em fazer alguma coisa para que essa decisão não se concretize, o que parece difícil, mas perder o JB é perder uma parte da história do Brasil”.

Caso o anúncio de Tanure se concretize, a entidade pretende acompanhar a situação dos jornalistas de perto. “Vamos acompanhar rigorosamente de perto, pra que não aconteça o que aconteceu com a TV Manchete”, enfatizou.

Fonte: Comunique-se

Capivaras são vítimas de maus-tratos e caçadas a tiros em Itaipava e Corrêas (Tribuna de Petrópolis)


Capivaras são vítimas de maus-tratos e caçadas a tiros em Itaipava e Corrêas


Enquanto turistas param para ver e fotografar as capivaras nas margens dos rios, animais são atacados a tiros e sofrem maus-tratos nos distritos. / ALEXANDRE CARIUS

JANAINA DO CARMO
Redação Tribuna


A população das capivaras cresce a cada dia na cidade. Longe dos predadores, elas podem ser vistas em vários pontos do município e até em algumas fazendas e sítios das regiões do Bonfim, Corrêas e Itaipava. Mesmo não havendo dados sobre o aumento do número dos animais, o secretário de Meio Ambiente, Luiz Eduardo Peixoto, garante que a população dos roedores vem crescendo. “Pretendemos catalogar esse animais e ter um controle melhor sobre o quantitativo, mas é possível avistá-los em muitos lugares fato que há alguns anos não ocorria”, comentou o secretário. O grande número de capivaras virou até atração turística. Segundo Peixoto, ônibus de turismo param às margens do rio para os turistas fotografarem os animais.
Com o aumento do número dos roedores, cresce também outro triste fato: os maus tratos. Elas são vítimas de tiro ao alvo e até de envenenamentos. Peixoto confirma as denúncias e pede a ajuda da população para denunciar os maus tratos. Ele contou que na última quinta-feira, em Corrêas, uma capivara adulta foi vítima desta “brincadeira” sem graça. Uma pessoa não identificada disparou vários tiros de uma espingarda de chumbinho em uma capivara que estava no leito do Rio Piabanha, próximo à praça. Tentando fugir das balas, ela acabou se enroscando na tela de proteção do rio. Homens do Grupamento de Proteção Ambiental e fiscais da Secretaria do Meio Ambiente foram chamados. “Ela ficou assustada com os tiros e acabou ficando presa. Ela foi levada para um veterinário, examinada e depois a devolvemos ao leito do rio. Infelizmente, não conseguimos capturar a pessoa que estava atirando”, contou.
Mesmo a população de capivaras sendo grande e não estando ameaçada de extinção, é proibido caçar ou matar o animal e o infrator está sujeito às sanções previstas na lei ambiental. De acordo com o veterinário Antônio Geraldo de Barros, as capivaras são animais calmos e receptíveis, mas não gostam de ser tocados. “É fácil se aproximar, mas se tentarmos segurá-la o seu nível de stresse, de adrenalina, sobe de uma forma assustadora, o que pode causar a morte”, disse. O veterinário também tem percebido o aumento da população dos roedores. “Tenho um sítio na região do Bonfim e já encontramos algumas. A tendência é de que cresça o número de capivaras na cidade. Elas se adaptaram perfeitamente. Os nossos rios são poluídos e mesmo assim elas sobrevivem”, comentou.
Além dos maus-tratos, outro fato também preocupa os fiscais da Secretaria de Meio Ambiente: o tráfego das capivaras por vias públicas. Para evitar acidentes, foram instaladas placas de sinalização ao longo da Avenida Barão do Rio Branco. Ao todo, são quatro placas indicando a existência dos roedores. “Nesta região, há um número maior de animais, mas pretendemos sinalizar também outros pontos da cidade”, comentou o secretário. A capivara é parente próxima dos ratos, preás e coelhos, e é o maior roedor do mundo, seus dentes podem chegar a sete centímetros. São animais herbívoros e vivem cerca de 15 anos. Uma fêmea costuma gerar, em cada gestação, de dois a oito filhotes. Um animal adulto pesa em média 80 quilos e mede cerca de 1,2 metro.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Manoel de Barros

O menino aprendeu a usar as palavras.

Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.

E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro

botando ponto no final da frase.

Foi capaz de modificar a tarde

botando uma chuva nela.

O menino fazia prodígios.

Até fez uma pedra dar flor!

A mãe reparava o menino com ternura.

A mãe falou:

Meu filho, você vai ser poeta.

Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os vazios com as suas peraltagens.

E algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos .

Manoel de Barros

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© Projeto Releituras
Arnaldo Nogueira Jr
13/07/2010 - 11:42:28




Nome:
Manoel de Barros

Nascimento:
19/12/1916

Natural:
Cuiabá - MT

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Manoel de Barros

Que hei de fazer se de repente a manhã voltar?
Que hei de fazer?
— Dormir, talvez chorar
”.




Manoel
Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá (MT) no Beco da Marinha, beira do Rio Cuiabá, em 19 de dezembro de 1916, filho de João Venceslau Barros, capataz com influência naquela região. Mudou-se para Corumbá (MS), onde se fixou de tal forma que chegou a ser considerado corumbaense. Atualmente mora em Campo Grande (MS). É advogado, fazendeiro e poeta.

Tinha um ano de idade quando o pai decidiu fundar fazenda com a família no Pantanal: construir rancho, cercar terras, amansar gado selvagem. Nequinho, como era chamado carinhosamente pelos familiares, cresceu brincando no terreiro em frente à casa, pé no chão, entre os currais e as coisas "desimportantes" que marcariam sua obra para sempre. "Ali o que eu tinha era ver os movimentos, a atrapalhação das formigas, caramujos, lagartixas. Era o apogeu do chão e do pequeno."

Com oito anos foi para o colégio interno em Campo Grande, e depois no Rio de Janeiro. Não gostava de estudar até descobrir os livros do padre Antônio Vieira: "A frase para ele era mais importante que a verdade, mais importante que a sua própria fé. O que importava era a estética, o alcance plástico. Foi quando percebi que o poeta não tem compromisso com a verdade, mas com a verossimilhança." Um bom exemplo disso está num verso de Manoel que afirma que "a quinze metros do arco-íris o sol é cheiroso." E quem pode garantir que não é? "Descobri que servia era pra aquilo: Ter orgasmo com as palavras." Dez anos de internato lhe ensinaram a disciplina e os clássicos a rebeldia da escrita.

Mas o sentido total de liberdade veio com "Une Saison en Enfer" de Arthur Rimbaud (1854-1871), logo que deixou o colégio. Foi quando soube que o poeta podia misturar todos os sentidos. Conheceu pessoas engajadas na política, leu Marx e entrou para a Juventude Comunista. Seu primeiro livro, aos 18 anos, não foi publicado, mas salvou-o da prisão. Havia pichado "Viva o comunismo" numa estátua, e a polícia foi buscá-lo na pensão onde morava. A dona da pensão pediu para não levar o menino, que havia até escrito um livro. O policial pediu para ver, e viu o título: "Nossa Senhora de Minha Escuridão". Deixou o menino e levou a brochura, único exemplar que o poeta perdeu para ganhar a liberdade.

Quando seu líder Luiz Carlos Prestes foi solto, depois de dez anos de prisão, Manoel esperava que ele tomasse uma atitude contra o que os jornais comunistas chamavam de "o governo assassino de Getúlio Vargas." Foi, ansioso, ouvi-lo no Largo do Machado, no Rio. E nunca mais se esqueceu: "Quando escutei o discurso apoiando Getúlio — o mesmo Getúlio que havia entregue sua mulher, Olga Benário, aos nazistas — não agüentei. Sentei na calçada e chorei. Saí andando sem rumo, desconsolado. Rompi definitivamente com o Partido e fui para o Pantanal".

Mas a idéia de lá se fixar e se tornar fazendeiro ainda não havia se consolidado no poeta. Seu pai quis lhe arranjar um cartório, mas ele preferiu passar uns tempos na Bolívia e no Peru, "tomando pinga de milho". De lá foi direto para Nova York, onde morou um ano. Fez curso sobre cinema e sobre pintura no Museu de Arte Moderna. Pintores como Picasso, Chagall, Miró, Van Gogh, Braque reforçavam seu sentido de liberdade. Entendeu então que a arte moderna veio resgatar a diferença, permitindo que "uma árvore não seja mais apenas um retrato fiel da natureza: pode ser fustigada por vendavais ou exuberante como um sorriso de noiva" e percebeu que "os delírios são reais em Guernica, de Picasso". Sua poesia já se alimentava de imagens, de quadros e de filmes. Chaplin o encanta por sua despreocupação com a linearidade. Para Manoel, os poetas da imagem são Federico Fellini, Akira Kurosawa, Luis Buñuel ("no qual as evidências não interessam") e, entre os mais novos, o americano Jim Jarmusch. Até hoje se confessa um "...'vedor' de cinema. Mas numa tela grande, sala escura e gente quieta do meu lado".

Voltando ao Brasil, o advogado Manoel de Barros conheceu a mineira Stella no Rio de Janeiro e se casaram em três meses. No começo do namoro a família dela — mineira — se preocupou com aquele rapaz cabeludo que vivia com um casaco enorme trazido de Nova York e que sempre se esquecia de trazer dinheiro no bolso. Mas, naquela época, Stella já entendia a falta de senso prático do noivo poeta. Por isso, até hoje Manoel a chama de "guia de cego". Stella o desmente: "Ele sempre administrou muito bem o que recebeu." E continuam apaixonados, morando em Campo Grande (MS). Têm três filhos, Pedro, João e Marta (que fez a ilustração da capa da 2a. edição do "Livro das pré-coisas") e sete netos.

Escreveu seu primeiro poema aos 19 anos, mas sua revelação poética ocorreu aos 13 anos de idade quando ainda estudava no Colégio São José dos Irmãos Maristas, no Rio de Janeiro, cidade onde residiu até terminar seu curso de Direito, em 1949. Como já foi dito, mais tarde tornou-se fazendeiro e assumiu de vez o Pantanal.

Seu primeiro livro foi publicado no Rio de Janeiro, há mais de sessenta anos, e se chamou "Poemas concebidos sem pecado". Foi feito artesanalmente por 20 amigos, numa tiragem de 20 exemplares e mais um, que ficou com ele.

Nos anos 80, Millôr Fernandes começou a mostrar ao público, em suas colunas nas revistas Veja e Isto é e no Jornal do Brasil, a poesia de Manoel de Barros. Outros fizeram o mesmo: Fausto Wolff, Antônio Houaiss, entre eles. Os intelectuais iniciaram, através de tanta recomendação, o conhecimento dos poemas que a Editora Civilização Brasileira publicou, em quase a sua totalidade, sob o título de "Gramática expositiva do chão".

Hoje o poeta é reconhecido nacional e internacionalmente como um dos mais originais do século e mais importantes do Brasil. Guimarães Rosa, que fez a maior revolução na prosa brasileira, comparou os textos de Manoel a um "doce de coco". Foi também comparado a São Francisco de Assis pelo filólogo Antonio Houaiss, "na humildade diante das coisas. (...) Sob a aparência surrealista, a poesia de Manoel de Barros é de uma enorme racionalidade. Suas visões, oníricas num primeiro instante, logo se revelam muito reais, sem fugir a um substrato ético muito profundo. Tenho por sua obra a mais alta admiração e muito amor." Segundo o escritor João Antônio, a poesia de Manoel vai além: "Tem a força de um estampido em surdina. Carrega a alegria do choro." Millôr Fernandes afirmou que a obra do poeta é "'única, inaugural, apogeu do chão." E Geraldo Carneiro afirma: "Viva Manoel violer d'amores violador da última flor do Laço inculta e bela. Desde Guimarães Rosa a nossa língua não se submete a tamanha instabilidade semântica". Manoel, o tímido Nequinho, se diz encabulado com os elogios que "agradam seu coração".

O poeta foi agraciado com o “Prêmio Orlando Dantas” em 1960, conferido pela Academia Brasileira de Letras ao livro “Compêndio para uso dos pássaros”. Em 1969 recebeu o Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal pela obra “Gramática expositiva do chão” e, em 1997, o "Livro sobre nada” recebeu o Prêmio Nestlé, de âmbito nacional. Em 1998, recebeu o Prêmio Cecília Meireles (literatura/poesia), concedido pelo Ministério da Cultura.

Numa entrevista concedida a José Castello, do jornal "O Estado de São Paulo", em agosto de 1996, ao ser perguntado sobre qual sua rotina de poeta, respondeu:

"Exploro os mistérios irracionais dentro de uma toca que chamo 'lugar de ser inútil'. Exploro há 60 anos esses mistérios. Descubro memórias fósseis. Osso de urubu, etc. Faço escavações. Entro às 7 horas, saio ao meio-dia. Anoto coisas em pequenos cadernos de rascunho. Arrumo versos, frases, desenho bonecos. Leio a Bíblia, dicionários, às vezes percorro séculos para descobrir o primeiro esgar de uma palavra. E gosto de ouvir e ler "Vozes da Origem". Gosto de coisas que começam assim: "Antigamente, o tatu era gente e namorou a mulher de outro homem". Está no livro "Vozes da Origem", da antropóloga Betty Mindlin. Essas leituras me ajudam a explorar os mistérios irracionais. Não uso computador para escrever. Sou metido. Sempre acho que na ponta de meu lápis tem um nascimento."

Diz que o anonimato foi "por minha culpa mesmo. Sou muito orgulhoso, nunca procurei ninguém, nem freqüentei rodas, nem mandei um bilhete. Uma vez pedi emprego a Carlos Drummond de Andrade no Ministério da Educação e ele anotou o meu nome. Estou esperando até hoje", conta. Costuma passar dois meses por ano no Rio de Janeiro, ocasião em que vai ao cinema, revê amigos, lê e escreve livros.

Não perdeu o orgulho, mas a timidez parece cada vez mais diluída. Ri de si mesmo e das glórias que não teve. "Aliás, não tenho mais nada, dei tudo para os filhos. Não sei guiar carro, vivo de mesada, sou um dependente", fala. Os rios começam a dormir pela orla, vaga-lumes driblam a treva. Meu olho ganhou dejetos, vou nascendo do meu vazio, só narro meus nascimentos."


Nokia e WWF se unem em projeto para enfrentar mudanças climáticas na Amazônia

Atividade pesqueira em Manoel Urbano (AC).

Atividade pesqueira em Manoel Urbano (AC).

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Uma parceria entre Nokia e WWF-Brasil permitirá a identificação e o mapeamento das mudanças climáticas em curso na região do Alto Purus, no Acre, propondo alternativas de adaptação para enfrentar os impactos negativos para as populações locais. O objetivo é a produção do conhecimento técnico-científico e a melhoria de vida das comunidades locais, compostas principalmente por pescadores e suas famílias.

O projeto vai registrar, em um vídeo, como os pescadores têm percebido as mudanças climáticas na região e quais medidas de adaptação são utilizadas para mitigar ou reduzir os impactos das alterações no clima. As informações serão coletadas com base em metodologia da Rede WWF para o Projeto Testemunhas do Clima, que já foi aplicada em comunidade de pescadores no município de Santarém (PA).

Uma metodologia participativa assegura o envolvimento dos pescadores em todos os processos do projeto piloto. Outro objetivo será contribuir para a recuperação do conhecimento tradicional. Além de informações técnico-científicas, serão coletados testemunhos pessoais nas comunidades locais, dando origem a um vídeo que será divulgado no Brasil e no exterior.

Segundo Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil, o projeto será importante para gerar informações sobre as mudanças climáticas na região. “A ideia é que possamos dar uma contribuição para reduzir a vulnerabilidade das populações locais aos impactos dessas mudanças, aumentando sua capacidade de adaptação. Os pescadores do Alto Purus se tornarão Testemunhas do Clima”, afirma.

A secretária-geral do WWF-Brasil acrescenta que, por meio do projeto, Nokia e WWF-Brasil darão uma importante contribuição, juntamente com outros parceiros locais e os pescadores, para subsidiar políticas públicas de adaptação às mudanças climáticas.

“A Nokia orgulha-se por poder fazer parte de uma iniciativa como esta. A ação junto à população que vive às margens do rio Purus é mais um fruto da duradoura parceria global entre a Nokia e o WWF”, comenta Almir Luiz Narcizo, presidente da Nokia do Brasil.

A região

O rio Purus é um dos afluentes mais importantes do rio Amazonas e sua bacia abrange 380 mil quilômetros quadrados. O rio nasce no Peru, entra no Brasil pelo Acre e segue pelo estado do Amazonas. Mais de 90% de sua bacia situa-se no Brasil. Na época da cheia, o Purus atinge outros 21.833 km2 da várzea (planície inundada nas margens do rio). Suas águas brancas, ricas em sedimentos provenientes dos Andes, estão entre as mais produtivas da Amazônia e respondem por cerca de 70% produção pesqueira que abastece Rio Branco, a capital do Acre, e por 30%, em Manaus, capital do Amazonas.

No Alto Purus, a biologia e a ecologia dos peixes têm forte ligação com o regime hidrológico do canal principal do rio e do regime regular das cheias na planície de inundação (a várzea). Além da variação natural no ciclo de cheias entre um ano e outro, a oferta de peixes sofre o efeito das mudanças climáticas. Uma redução da produção pesqueira afeta diretamente os pescadores e suas famílias.

Além disso, a pesca é o principal meio de subsistência da população ribeirinha da Amazônia. Mais de 80% das famílias nas várzeas da região vivem da pesca. Além disso, existem outros 37 mil pescadores que praticam a atividade em escala comercial na bacia amazônica.

De acordo com Antonio Oviedo, responsável pelo projeto no WWF-Brasil, é importante fazer uma avaliação biológica dos recursos pesqueiros da área e apoiar a implementação dos acordos de pesca. “É necessário sistematizar o conhecimento local sobre a pesca e os ambientes da várzea, bem como compreender os padrões individuais e coletivos de uso dos recursos pesqueiros em escala comunitária e regional”, avalia.

Ainda segundo Antonio Oviedo, essa sistematização é necessária para o aperfeiçoamento dos acordos de pesca, que são normas criadas pelas comunidades para organizar a atividade pesqueira, com objetivo de garantir a sustentabilidade da pesca no longo prazo. Quando aprovados pelo Ibama, ganham força de lei. Os acordos têm obtido importantes resultados do ponto de vista da conservação de ecossistemas aquáticos, do incremento da renda e da segurança alimentar de populações que habitam as regiões de várzea.

O projeto Testemunhas do Clima Nokia/WWF-Brasil no Alto Purus conta ainda com a participação da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar do Estado do Acre (Seaprof).. A primeira edição aconteceu em 2008, na comunidade de Igarapé do Costa, estado do Pará. Os vídeos produzidos podem ser vistos no link www.wwf.org.br/testemunhasdoclima.

Ônibus a hidrogênio chegam a SP e RJ (estadão.com.br)

Ônibus a hidrogênio chegam a SP e RJ

Popularização de veículos com combustível que não emite poluentes, porém, deve ocorrer só nas próximas décadas, dizem especialistas

07 de julho de 2010 | 0h 00

Afra Balazina - O Estado de S.Paulo

Ônibus movidos a hidrogênio, que têm como principal vantagem ambiental emitir somente água do escapamento, já chegaram a São Paulo e ao Rio. A expectativa é que o País utilize esses veículos na Copa do Mundo, em 2014, e na Olimpíada, em 2016. Entretanto, segundo especialistas, a popularização de carros que usam esse tipo de combustível e evitam a poluição do ar nas cidades e danos à saúde da população só deve ocorrer nas próximas décadas.

No Rio, a previsão é de que o ônibus desenvolvido pela Coppe (pós-graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro) circule neste mês na Cidade Universitária e atenda professores, alunos e funcionários. Depois, ele deve operar em uma linha da zona sul.

Em São Paulo, o ônibus está em testes com peso (3 toneladas de areia) em várias linhas do corredor ABD (São Mateus ? Jabaquara). A intenção é que em três meses comece a andar com passageiros.

"Não existem diferenças significativas de desempenho operacional entre esse ônibus e os convencionais. A diferença se dá no aspecto da poluição ambiental, pois o ônibus movido a hidrogênio não apresenta nenhuma emissão de material particulado (mistura de poeira e fumaça) ou gases de efeito estufa", diz Ivan Carlos Regina, da gerência de planejamento da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU).

Segundo ele, serão adquiridos mais três ônibus, que devem entrar em operação em 2011. Além do Brasil, quatro países fizeram uso desses ônibus: EUA, China, Alemanha e Canadá. Nos Jogos de Inverno de Vancouver, ocorridos em fevereiro, ônibus a hidrogênio fizeram o trajeto entre o aeroporto da cidade e a estação de esqui Whistler.

Mas o avanço tem sido lento. Ennio Peres da Silva, chefe do laboratório de hidrogênio da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), lembra que o projeto em São Paulo foi feito há dez anos e só agora está sendo concluído. "Acho que o aumento da frota vai demorar muitos anos."

As montadoras, porém, estão atentas à tecnologia. Todos os grandes fabricantes já têm seus modelos tecnicamente prontos para comercialização e tentam reduzir os custos. "Isso deverá ocorrer principalmente com uma grande escala de fabricação."

Michael Fowler, da Universidade de Waterloo, no Canadá, reforça que a tecnologia para a economia do hidrogênio está pronta. "Naturalmente, a construção da infraestrutura de produção de hidrogênio e de distribuição será necessária, e isso vai ser feito ao longo de um período de várias décadas", afirma.

Apesar de acreditar que os veículos a hidrogênio se tornarão comuns no futuro, ele aponta o petróleo como o principal atrasador do processo. "O petróleo continua a ter um custo competitivo para uso como combustível no transporte. No entanto, traz um grande custo ambiental."

Para ele, agora a transição é uma decisão política. "Quanto tempo a sociedade está disposta a viver com má qualidade do ar urbano, com os danos ambientais da exploração de combustíveis fósseis e com os riscos das mudanças climáticas?"

Verde ou negro. O hidrogênio pode ser produzido a partir de diversas fontes. Essa versatilidade, porém, nem sempre é positiva ao ambiente. O Ministério do Meio Ambiente demonstra preocupação com a questão ? no Brasil, é comum produzir hidrogênio a partir do gás natural, que é um combustível fóssil. Nesse caso, a pasta não vê vantagem no uso como combustível. Mas é possível gerar hidrogênio por meio de fontes mais limpas, como hidrelétrica, eólica, solar, biomassa e etanol. "Costumamos dizer que existe o hidrogênio "verde", produzido de fontes renováveis e mais limpas, e o hidrogênio "negro", de fontes fósseis (petróleo, carvão, gás natural), com grandes impactos ambientais", explica o professor da Unicamp. O gás também pode ser criado a partir da energia nuclear. "Nesse caso, seus problemas são os riscos de acidentes e o que fazer com o lixo radioativo", diz Silva.

Para evitar a emissão de poluentes e gases-estufa do hidrogênio que vêm de fontes fósseis seria preciso fazer o sequestro do carbono e enterrá-lo sob a terra ou no fundo dos oceanos. Existem métodos para isso ? entretanto, um dos grandes desafios é garantir que os gases armazenados não escapem para a atmosfera.